Não era amiga do Carlos Castro. Não almoçavamos nem jantavamos juntos. Na altura em que ele era cronista do 24horas e eu jornalista falámos muitas vezes ao telefone. Depois passou a "conhecido a quem posso ligar para confirmar isto ou aquilo" e "fonte próxima" para muitas das notícias que escrevi a partir daí. Era educado, entrava numa sala onde eu estivesse e vinha sempre dar dois beijinhos e trocar ideias. Era um senhor educado e um grande profissional. Não interessa se gostava dele. Não interessa se era ou não gay. Não interessa se o assumia publicamente ou não. Se ia às festas do croquete, se agia sempre de forma imparcial. Interessa que nenhum ser humano merece tere um fim como o que o Carlos teve.
Eram cinco da manhã, estava eu a vir de um trabalho, quando o meu telemóvel tocou. Era uma amiga que está no estrangeiro e amiga do Carlos. Disse-me que ele tinha sido assassinado pelo namorado em Nova Iorque. Na altura ainda não se sabia o pormenor da matulação. Chamemos-lhe assim, pormenor, por agora. Confesso que fiquei em choque e à espera que fosse mentira. Mudei o canal da tv para a SIC Notícias à espera das notícias das 06h00. Foi a notícia de abertura. Era verdade.
Ninguém merece morrer desta maneira, ninguém.
Enquanto não lhe podemos chamar "assassino", só nos é permitido após ser provado, o que não me parece que vá ser difícil, Renato Seabra é só "principal suspeito". Um miudeco de 21 anos que mata e mutila sexualmemente o companheiro. Conheço o Renato de vista, de desfiles, algumas festas e por ser uma cara constante na ModaLisboa. Tenhos conhecidos em comum, alguns amigos até.
Sempre tive a teoria de que estes miudecos se aproximam de pessoas como o Carlos, um gay muito mais velho com poder, conhecimentos e influência, para serem famosos. Vão às festas e acabam por conseguir que por eles sejam puxados cordelinhos. Neste caso foi o Renato que os puxou, passou o limite. Se queria ser famoso então conseguiu. Deixou todos em choque e matou friamente, com contornos demasiado horríveis para os quais não encontro um adjectivo, o homem que o estava a sustentar a vários níveis e que possivelmente gostava dele uma maneira que o Renato nem merecia. Nada, e não me venham falar de ciumes e amor, nada justifica um acto destes. E repito: ninguém merece morrer assim.
Descansa em paz Carlos.