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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Freak

Porque sou um carrocel desgovernado. Um novelo. E esta música, a par com outras que volta e meia meto a gritarem-me aos ouvidos, está-me entranhada há anos. Porque nem sempre consigo ser tão cool como tu.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ninho

Um destes dias um conhecido perguntou-me se o meu ninho era acolhedor. Não lhe soube responder, nunca tinha pensado nisso.
Saí de casa dos meus pais com 17 anos. Vim para Lisboa estudar e trabalhar. Fui viver sozinha, numa casa só para mim durante um ano. Nunca gostei daquela casa, nunca lhe chamei lar. Sempre que podia, e eram muitas as vezes contando que do meu curso era a única caloira de fora de Lisboa, enchia a casa de gente. Caloiros, veteranos, pessoal do trabalho. Começou a ser a casa de encontro de amigos, mas quando lá estava sozinha, e não sou nada de solidões, nunca olhei para as paredes como minhas, nunca me identifiquei com elas. Os restantes anos de faculdade foram passados a partilhar casa, nunca foram um lar. Anos depois fui viver com um namorado. Entre várias casas alugadas nenhuma deles me fez sentir que ali pertencia. Depois comprei casa, tive um ninho. Foi o escolher, o mobilar, o decorar, o ter as ideias, o dar aquele toque absolutamente pessoal. O que eu adoro aquela casa. Tudo tinha um sentido, era ali que me via por muitos anos. As paredes virgens de memórias começaram a guardar segredos e sonhos. Projectos e histórias, a manter calor, a guardar imagens e segredos. Sussurros. A albergar familiares uma vez ou outra. Teve um jantar de Natal com a família toda. Fazia sentido. Tinha pormenor, traços de personalidade de duas pessoas. Tinha um propósito. Podia ter tido crianças a correr de um lado para o outro. Podia ter tido um escritório transformado numa outra coisa qualquer. Tinha recordações de viagens pelas paredes. Fazia sentido. Foi um ninho. Talvez tenha sido um lar.
Tal como os passarocos, quando têm por sobrevivência que aprender a voar, caí do ninho.
Agora, não acho que tenha um ninho, um lar. O meu quarto na casa dos meus pais, onde só vou de duas em duas ou três em três semanas, também já não é o meu. Passou a ter uma mobília de casal, demasiado adulta. Já não tem a escrevaninha, nem aquelas prateleiras que exibiam as minhas taças e troféus do futebol e do atletismo. Já não tem as minhas tralhas, foram encaixotadas. Já não têm uma colcha divertida, tem uma enfadonha em tons pastel, tem tapetes às riscas, tem uns creme que a minha mãe faz questão de não me deixar pisar calçada. Já não tem junto à janela uma escada de ferro que ligava ao sótão. Já não posso fugir pela janela a meio da noite para me sentar lá a fumar um cigarro e a olhar para as estrelas. A ouvir os grilos e as cigarras, os sapos, os gatos, os cães. Mudaram-me de quarto também. Pronto. Não tenho ninho.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A minha noite "revelação"

Sabem aquelas noites inquietas? Aquelas em que vos apetece ficar sozinhos, a pensar na vida,a tentar arranjar uma solução para outra qualquer inquietude? Aquelas, sim aquelas, em que os cigarros não são pensativos, noites perdidas a pensar e que acabam sem que possamos chegar a uma conclusão, tomar uma decisão? Pois, toda a vida tive noites dessas. Até ao dia...
Durante as últimas férias, aquelas em que fiz o cruzeiro, tive uma noite revelação (que merda de nome). Uma noite que me mudou a vida, a noite em que mudei de vida. A noite do fuck it, uma noite em que olhei para dentro de mim e me vi, realmente, lá no fundo, atolada em merdas que não interessam a ninguém. Presa com estacas do passado, do presente, por regras e amarras sem sentido.
Estavam 31 graus em alto mar, à 01h00 da manhã e decidi ir para a proa, de margarita na mão, maço de tabaco na outra. O vento batia-me com força na cara sem conseguir levar o calor. Num instante desatou a chover e o céu começou a piscar. Negro, rosa-choque, negro. Rosa, negro outra vez. Os relâmpagos sucediam-se, atropelavam-se com a pressa de rasgar o céu e na minha cabeça começavam a suceder-se mudanças. Olhei-me para dentro.
Fumei mais um cigarro, agora abrigada da chuva mas sem conseguir abandonar a proa, apenas recuei uns metros. Olhei-me para dentro outra vez. Sai da proa horas depois com uma cabeça nova. Uma cabeça sem merdas. Uma cabeça sem preconceito nenhum, uma cabeça prática. O que decidi? O que mudou?
Decidi que ia sair da minha bolha de protecção, que ia viajar sozinha, que ia conhecer pessoas novas só porque sim, que ia a um bar de jazz assim que regressasse a Lisboa, que ia dar-me. Que ia aprender a dançar tango. Que ia quebrar as regras. Que ia agarrar todas as gargalhadas que pudesse.
Voltei para dentro do barco. Dancei o twist com um velhote de 70 anos, kizomba com um puto de 15. Fiz brindes à vida com uma espanhola de 52 anos que trabalha na ONU e que me contou a vida toda. Andei a correr descalça a fugir de um segurança peruano pelo navio, de corredor em corredor, à procura do Deck 5 ímpar para ir beber cerveja de lata (acto rebelde e ilegal pois claro, nem sei como conseguiram trazer a cerveja para dentro do barco) com os crupiers do casino (por sorte não fui apanhada e eles não foram despedidos). Não contive as gargalhadas e gozei com a cara do segurança que não percebeu uma única palavra do que eu disse, quando me apanhou e me perguntou se estava perdida e o que fazia descalça àquela hora. Escondidos bebemos as cervejas, rimos, dançámos, falámos da vida. Um bando de estranhos a pisar a linha, a rir, a traçar planos, a partilhar histórias.
De volta a Lisboa mantive firme as decisões que tinha tomado, continua a ligação a essas pessoas, as novas pessoas, mantêm-se as decisões, mantém-se a cabeça vazia de merdas.
Continuam os e-mails, as piadas, os encontros relâmpago para comer pastéis de nata em Lisboa a cada vez que o barco atraca. A promessa do encontro com todos em Buenos Aires daqui a dois anos. (Pablo, é o tempo que tens para aprender a dançar o tango, é uma vergonha seres argentino e não o saberes dançar).
Tomei decisões para o futuro. Arranquei vírgulas e meti pontos finais. Coloquei-me prazos. Arrumei-me. Apaguei números de telefone, apaguei pessoas. Deixei-me de fretes, agora não sorrio a ninguém para parecer simpática, não deixo de dizer nada só para não magoar egos. Comecei a falar com pessoas que não conheço de parte nenhuma, a olhá-las nos olhos. Fui a um jantar de estranhos e conheci pessoas maravilhosas (sim, pessoal da rambóia, vocês que estão a ler contenham as lágrimas, sim?). Depois daquela noite voltei a ser eu, a que se tinha perdido há uns anos e agora se reencontrou. Tive uma noite "revelação", eu que pensava que isso só acontecia aos outros, ou em filmes.

Bem, já devem ter reparado que acabei por juntar dois posts num. Isso porque tinha prometido um "Momentos a bordo", bem cá vão fotos e tudo e tudo com legendinhas e essas fôfuras. (Não, a minha mãe não lê o meu blogue)

A foto deste episódio.


A Gravata do Pablo. Pronto, eu explico. Acho que ficava melhor na minha perna que no pescoço dele e como ele partilhava a mesma opinião...


Outra noite, a mesma gravata...Virou moda.


:)
A vista (de dia) do fim do deck 5


E vocês? Que gostavam de mudar na vossa vida?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

sem título



Não quero dizer nada que não queiras ouvir
Hoje apetece-me brindar-te com um rasgo inútil de boa vontade
Hoje apetece-me fingir que sinto o mesmo entusiasmo que tu num primeiro jantar a dois
Ah, apetece-me também fingir que tenho vontade de partilhar momentos a dois
E de ouvir lamechices, elogios e ainda fingir-me interessada no teu passado
Sim, vou deixar-te dançar comigo enquanto damos travos de vinho tinto
Todo este cenário porque hoje apetece-me sentir humana ao ponto de acreditar
Amanhã vou querer estar sozinha

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tenho dito!

Porque quando estou perdida não quero ser encontrada
Porque quando me coloco em perigo não quero ser resgatada
Porque quando não digo onde vou não quero companhia
Porque quando não atendo o telefone é porque não quero falar com ninguém
Porque quando o desligo estou cinza por dentro
Porque quando durmo mal não sorrio de manhã
Porque não tenho que justificar tudo e nem me apetece justificar nada
Porque há erros que cometo por opção
Porque há penas que acato por gosto
Porque há dores que se fundem com prazer
Porque há merdas para as quais não tenho paciência
Porque já não tenho idade nem currículum
Hoje não vou olhar à volta, vou olhar apenas para o meu umbigo

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Os troféus velhos guardam-se em caixotes, não se exibem.

Aqui a Pipoca dos Saltos Altos, em tempos, quando era uma gaiata, foi jogadora de futebol. Federei-me novinha e joguei no campeonato até aos 17 anos, idade com que vim para Lisboa, idade com que entrei na faculdade. Nessa altura, com as lágrimas nos olhos e com uma raiva latente, tive que deixar o futebol.
Nos anos que se seguiram apenas participava nos torneios amigáveis (que nem sempre o eram) de verão do clubeco lá da terra. Eram, mesmo que a "brincar", momentos em que a adrenalina disparava, em que era feliz, em que me lembrava das vitórias, das derrotas, dos joelhos constantemente esfolados, das viagens em equipa, dos gritos, das pessoas a chamarem o meu nome.
Recentemente olhei para a estante do meu quarto, em casa dos meus pais, e percebi que as taças, as medalhas e os troféus de melhor marcadora expostos já não faziam sentido. Guardei tudo num caixote no sótão.
Volta e meia, quando estou na terrinha e vou a pé ao café do fundo da rua, ainda ouço os velhotes a sussurrar "olha a Caniggia" quando passo por eles. Sorriem-me. Nunca percebi porque raio foram escolher o Caniggia como alcunha para mim. Deve ser do cabelo comprido loiro, e da fita que ele usava para impedir a franja de lhe entrar para os olhos.
Este sábado houve alguém, um perfeito estranho, que me recordou, com muita nostalgia, mas alguma mágoa, esses tempos. Os tempos em que saltos altos tinham atacadores, em que os vestidinhos eram calções, em que as pernas andavam sempre com crostas. Os tempos em que usar verniz nos pés não era para embelezar, era para esconder a unha negra do pé direito.
Estava eu com os meus pais, no casamento do meu primo (que joga à bola), com os meus amigos (alguns ainda jogam) e a minha melhor amiga de infância (a melhor defesa com quem joguei até hoje) quando um senhor de meia idade me abordou. O meu pai, manteve-se perto, desconfiado, protector.

Sr - É verdade que você é a Pipoca?
Pipoca -Sim...sou
Sr. - Está a falar a sério? É mesmo você?
Pipoca - Sim, mas porquê?
Sr. - Quero que venha jogar para a minha equipa!
Pipoca - (depois de uma valente gargalhada) - Eu já não tenho idade para isso, já não posso com uma gata pelo rabo.
Sr. - Isso não interessa e não acredito que seja assim...
Pipoca - Acredite, ainda por cima não vivo cá.
Sr. - Ainda um destes dias me disseram que a viram a jogar...
Pipoca - Mas foi uma brincadeira, uma coisa descontraída. Também lhe devem ter dito que não me aguentei a correr mais que 15 minutos...
Sr. - Para futebol de salão e com a sua idade não é nada mau. Venha lá jogar para a minha equipa, eu faço-lhe a inscrição.
Pipoca - Mas eu quase nunca cá venho, não faz sentido. E estou velha para isso, já não faço o que fazia aos 17 anos.
Sr. - Mas os jogos são ao sábado, nem que só lá aparecesse uma vez por mês, já era muito bom.
Pipoca - Mas isso ajuda-lhe a equipa em quê? Não treino e apareço em campo, do nada, uma vez por mês?
Sr. - Ainda não percebeu? Eu só queria poder dizer que a tinha na equipa! Imagina a cara dos outros dirigentes dos clubes quando soubessem que a tinha conseguido convencer a voltar aos campos e ainda por cima num clube tão recente como o meu? Era um espectáculo...

Agradeci o elogio (ou não) mas no fundo fiquei triste, revoltada. Não só por ter envelhecido, nem por já não jogar à bola, fiquei triste porque me senti um troféu velho e enferrujado. Tão velho e enferrujado como os que tirei da estante do meu quarto para um caixote. Então agora vou aparecer equipada uma vez por mês num banco de um campo de futebol para um cromo qualquer poder dizer que ele é que tem a Pipoca, velha e enferrujada , com as cores do clube dele? Não, não vou.
O meu pai percebeu o que eu estava a sentir, aquela tristeza, aquele amargo na boca. Mas não conseguiu esconder o orgulho em mim, nem as saudades dos arrepios no estômago cada vez que me via estendida no chão, a sangrar dos joelhos, vermelha como um tomate, mas cheia de garra, raiva, enérgica.
O meu tempo passou. Fui feliz, fui muito feliz, mas já não faz sentido. Faria tanto sentido voltar com 26 anos a federar-me em futebol como andar nesta idade com dois tótós no cabelo e uma Barbie na mão. O tempo passa, não o podemos segurar para sempre. Fico com as memórias, mesmo que dentro de um caixote.

terça-feira, 30 de junho de 2009

(...)

"Ele diz ter ciúmes da Lua por estares a olhar para ela
E do sol, por te aquecer
E diz que te sente mesmo quando não te está a sentir
Eu falo contigo mesmo quando não te falo
Amo-te mesmo quando não te estou a amar
E sabes que te amo..."
Basquiat

quinta-feira, 6 de novembro de 2008


Vou arrancar-te da minha vida, de uma vez por todas. Não vou virar mais uma página, vou arrancá-la!
Estou a fazer as malas. É oficial, já te tinha deixado e agora vou bater-te com a porta na cara. Fartei-me da tua dolorosa forma de amar. Era isto que era amor? Não, nem estiveste lá perto, nem nunca soubeste responder a esta pergunta, a mesma, ao longo dos anos.
Era amor que sentias quando me mentias?
Era amor trazeres terceiras e quartas pessoas para dentro da nossa relação?
Era amor o que sentias quando me deixavas exposta aos teus erros?
E quando já nem me tocavas, quando já não sentias ciume, quando só dormias na mesma cama que eu sem sequer te passar pela cabeça estar comigo? Também era amor nessa altura?
Leva o teu amor pra longe, dá-o a outra. Já não quero o teu "amor".
Tu nunca amaste, tu nunca cresceste! Nunca sequer me deixaste chegar perto, mostrar-te o que era afinal o Amor. És demasiado egoísta para saberes o que é o amor, porque ele costuma ser partilhado...
Ah, Amor também não é hábito!
Não é ter 40 anis de vida hipotecada. Não é teres a comida na mesa e a roupa nas gavetas, sabias?
Amas-me? Não sejas patético!
Fui!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Raio de conversas!

Pá, conversar para quê? Achas que desta me surpreendes? Não há pachorra para conversas, não agora. Odeio conversas difíceis. Achas mesmo que não sei o que me vais dizer? Hum?
Não me queres poupar a ter que ouvir um monte de frases feitas que nem sequer são tuas?
Poupa-me...não quero conversar sobre nada, ok?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

AMIZADE


Apesar de nem sempre estarmos juntos e de estarmos semanas sem telefonar. Apesar dos vossos atrasos (sim Peter é contigo) e apesar das nossas diferenças, vocês, os meus três estarolas, estão sempre TÃO PERTO.
Mesmo quando passamos horas a gracejar e a mal-dizer, mesmo quando apenas nos acompanhamos nos copos e nas músicas manhosas que acabamos por, inevitavelmente, dançar sei que posso contar com vocês. Obrigada. Conheço-vos desde que me conheço e não seria EU sem vocês.
Basta um olhar, ou mesmo uma cotovelada (né tanocas, tenho os braços negros desde sábado), para sabermos exactamente o que rasga a nossa mente nos mesmos segundos.
Isto é o que vulgarmente chamamos de amizade, mas que nos faz perceber como é que num mundo de cinismo e "vidas de merda" nos aguentamos cá em cima e de sorriso nos lábios.
Bigada amiguinhos

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Agora já não...

Se as lágrimas tivessem voz
Já não ouvirias o meu choro
As palavras que a boca já não diz
Os segredos, os tesouros
Tudo o que tenho guardado
E que quase nunca sei dizer
Alguns segredos estão escondidos
Num canto perdido do meu ser
É quase paranóia
É a desconfiança a dar de nós
O pouco que ainda resta da pureza de criança
As guerras que travo comigo
Ao menos têm o condão
De fazer com que me sinta mais leve
e a dor seja um pouco mais breve
Pois não se mente a nós próprios
Nada compra a paixão
Quando o jogo é honesto
O vencedor é o coração