"ontem vi-te na tv", "qualquer dia viras celebridade", e "estavas sempre a ser filmada na SIC". Podemos falar de outra coisa? Sim? Pronto, era só isto.
Ah, bom dia.
Estou na redacção de phones a tentar abafar o barulho, descalça, com os pés em cima do skate, a balançar as pernas de um lado para o outro debaixo da mesa. Depois, volta e meia, dos phones saem sussuros do Ryan. Como este. (acho que já ouvi esta mais de 20 vezes hoje)
Depois de um dia tramado, vamos ser queridos e apelidá-lo assim, "tramado", em que tive um ataquezinho (reparar no português fofinho) como não tinha há anos; depois de chegar a casa e me lembrar que não sei o que é jantar há 3 dias, e de brindar os meus vizinhos (já tarde e más horas)com o barulho do aspirador e da máquina de lavar; depois de em desespero procurar nos armários alguma coisa que se assemelhasse a alcóol (restinho de uma bendita garrafa de vodka); depois de descobrir que o chuveiro é o sítio ideal cá em casa para abafar choros e disfarçar lágrimas; e (agora é o mais importante) de chegar à vitoriosa conclusão de que o sentimento que me tem devastado nas últimas duas semanas se chama frustração (mais importante porque podia ser qualquer coisa de pior); depois de pegar no telefone e pensar fazer aquela chamada que me ia deixar despida (não estamos a falar de ausência de roupa), decidi gritar um fuck it, pegar no copo meio vazio e dançar no meio da sala. Esta foi uma delas. Quem quer vir dançar na sala da Pips e gritar fuck it a plenos pulmões?
É sempre em cima dos meus saltos altos que olho para o mundo. Se nem sempre as coisas são à minha maneira, se nem sempre vejo o que quero, ao menos que esteja mais alta. Tento olhar altiva, com uma postura hiper-feminina. O som dos saltos enquanto caminho obrigam o mundo a olhar para mim e a rodar a cabeça enquanto passo... Mas de saltos altos também é mais fácil cair...