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sexta-feira, 5 de junho de 2015

segunda-feira, 11 de maio de 2015

(...)

"Chegara àquela idade em que lhe ocorria, com crescente intensidade, uma pergunta de uma simplicidade tão avassaladora que não tinha como a enfrentar. Dava por si a perguntar-se se a sua vida valeria a pena, se alguma vez valera a pena."

Stoner, John Williams

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ficou tarde e eu sempre tive medo do escuro.





Ficou tarde. Entardecemos. Não contaste as horas. Sempre assim foste, não olhas para o relógio. Não te interessa o fim de nada, nem da luz do dia - nem gostas que te aqueça a cara, que coisa impensável para quem não se distrai do seu umbigo. Mas achas que tens tempo, sem te perguntares quando tempo ele dura. Entardecemos. Tenho saudades do sol. Ficou tarde e eu sempre tive medo do escuro.

Naquele momento pensei: sim, o amor esgota-se.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Talvez um dia eu aprenda

Talvez com a idade eu aprenda. Que o facto de ser meticulosa na forma como trato os outros não significa que se sintam na obrigação de me manusearem com cuidado. Que pelo facto de ter sempre a preocupação, de ao falar, não lançar uma frase crua que não possa retirar, porque as palavras são como as pedras, uma vez atiradas nada a fazer, não quer dizer que as pessoas pensem duas vezes antes de me ferirem com elas. Talvez um dia aprenda que as pessoas que me magoam nunca conseguem medir em escala os danos que me causaram e deixe de esperar menos delas. Talvez eu aprenda, com a idade ou com a vida, que posso gostar sem dar tudo em troca de nada. Talvez um dia eu aprenda. Que afinal só posso contar comigo para lamber as próprias feridas ainda que causadas por outros, outros que nunca, conscientemente magoaria. Talvez aprenda que se as palavras ferem como punhais e se os punhais me são lançados deveria reagir aos berros em vez de lágrimas solitárias. Talvez eu aprenda a mostrar que estou furiosa em vez de tentar desvalorizar as acções dos outros. Um dia. Talvez eu aprenda um dia. Que o facto de eu viver aterrorizada em magoar alguém não significa que a pessoa(as) percam tempo a pensar se me vão magoar ou não. Talvez aprenda que afinal, cabe a mim recompor-me a não à(s) pessoa(s) que me magoou(aram) e tirar daí uma lição, perceber o que significa. Talvez eu aprenda, um dia, eu, que tento sempre meter remendos nos danos que causo e limpar as lágrimas que faço cair. Um dia. Um dia aprendo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Restart

Um amigo perguntou-me como se pode fazer restart ao coração. Não lhe soube responder, que sei eu do coração? Acho que não se pode, não há uma forma, um botão. Deixa-se lá tudo o que vivemos, dores incluídas, e espera-se que as coisas se transformem, as memórias se percam e o azedo na boca mude de sabor para qualquer outro paladar mais agradável.
Vivem-se as dores e cresce-se com elas. Aprendem-se lições e espera-se que o organismo cuspa o sabor tóxico que nos ficou preso à garganta. Atenuam-se as mágoas com calmantes (amigos) e espera-se que o tempo faça o efeito que queremos: que provoque o esquecimento.
Deixam-se as lágrimas cair para nos lavar a alma, e elas vão cair várias vezes, e olha-se para o céu para se evitar o escuro da espiral que parece ser o sítio onde queremos estar.
Rasgam-se cartas, postais e fotografias. Deitam-se fora presentes. Muda-se de rotina. Muda-se de cenário. Muda-se de sítios. E o coração lá por dentro, enquanto as coisas por fora vão mudando, vai sofrendo mudanças também. Até que um dia, depois de termos chorado 476 dias, ou outro número qualquer, e nos termos massacrado com o fracasso que se agarra à nossa mente, acordamos e damos um sorriso. Um que seja provocado pelo sol, pela chuva ou por outra coisa, isso agora não interessa nada. Um que seja retribuído a um estranho, a um amigo, a uma criança. E um dia, quando menos esperarmos, se tivermos sorte e a audácia de o aceitar, um sorriso que seja provocado por uma nova pessoa que nos entre vida adentro.
Mesmo com o medo de sabermos que corremos o risco de passar por todo o processo de carpir dores novamente, mais 476 dias, segundo a Pólo Norte.
E quando olharmos para trás, num dia já distante, podemos dar-nos ao luxo de nos presentear com a sentença: agora sei porque é que não resultou com ninguém antes. Um dia...se tivermos essa sorte.
É que restart é uma coisa que não se pode fazer. Nem sequer rewind.
E como não sei responder à pergunta, espero que o teu sorriso não tarde a chegar. E que ao contrário de mim, não demores mais do que 476 dias para esquecer e 725, ou outro número qualquer, para dares por ti a oferecer um sorriso a um estranho, sem medo de passar por tudo outra vez. E teremos sempre medo, eu sei.

"No one can find the rewind button, girl.
So cradle your head in your hands
And breathe..."

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Saí à pressa...

Houve um dia que te quis. Houve uma noite em que te apertei no peito. Houve horas em que me atravessaste a mente. Houve dias em que me tentei convencer, à força de querer sentir, que não eras um capricho.
Houve um momento em que te olhei para o fundo dos olhos, para ver se estava no teu castanho profundo, sombrio. E vi-me lá, numa imagem meio tremida. Saí à pressa, mesmo sabendo que não eras um capricho, mesmo sabendo que estava no castanho dos teus olhos, mesmo que numa imagem meio tremida, num castanho sombrio. Saí à pressa, eu sei.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Paixão e pernas entrelaçadas

E foi sem esperança que a rapariga lhe disse "estou apaixonada por ti". Foi de olhos vagos que o rapaz lhe partiu o coração, sem perceber que daquela vez a devia ter olhado nos olhos, ainda que vagas fossem as palavras.
Da esperança que não morre saiu-lhe um sorriso, já com o peito sem sinais de vida.
Havia em tempos acreditado que o que se sente num coração é aceite no outro. A rapariga não tinha ainda noção que atracção e paixão não andavam de mãos dadas, ainda que volta e meia entrelaçassem pernas.
Desde esse dia "estou apaixonada por ti" não se lhe voltou a ouvir dizer, apesar de o peito o ter sentido tantas vezes. O rapaz inventou a palavra "saudade" sem perceber que a cada vez que o dizia a esperança ganhava mais uma vida, sem perceber que a "saudade" dele lhe queimava no peito que ainda gritava "estou apaixonada por ti".
Um dia a rapariga matou a esperança e fez ouvidos mudos à "saudade" do rapaz. Nesse dia ela já sabia que apesar das pernas se entrelaçarem quase sempre numa dança perfeitamente coreografada, nem sempre os corações batem ao mesmo ritmo.
A rapariga é feliz, mesmo sem ter voltado a dizer "estou apaixonada por ti". O rapaz fala com "saudade" da rapariga que um dia não soube olhar nos olhos.

domingo, 25 de outubro de 2009

...

Somos apenas encontros e desencontros. Olhares e sorrisos. Memórias de
outros tempos. Um lugar vazio. Uma viagem adiada. Uma espera que
terminou sem encontro. Uma troca que não foi feita. Uma ilusão que se
esfumou entre os carris da estação ruidosa. Uma lágrima que escapou
perante o que poderia ter sido. Um retrocesso entre os passos dos
transeuntes. Uma página cheia de palavras soltas que nunca se uniram.
Um texto sem pontuação.

Lido com emoção e "roubado" com respeito daqui.
E fica o pedido de desculpas por me ter esquecido de colocar os devidos créditos à autora Misunderstood, distracção infeliz a minha. Já agora convido-vos a visitá-la. Este era dos muitos únicos dois blogues que lia até criar o Dos Saltos Altos. O post é antigo mas intemporal.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tenho dito!

Porque quando estou perdida não quero ser encontrada
Porque quando me coloco em perigo não quero ser resgatada
Porque quando não digo onde vou não quero companhia
Porque quando não atendo o telefone é porque não quero falar com ninguém
Porque quando o desligo estou cinza por dentro
Porque quando durmo mal não sorrio de manhã
Porque não tenho que justificar tudo e nem me apetece justificar nada
Porque há erros que cometo por opção
Porque há penas que acato por gosto
Porque há dores que se fundem com prazer
Porque há merdas para as quais não tenho paciência
Porque já não tenho idade nem currículum
Hoje não vou olhar à volta, vou olhar apenas para o meu umbigo