sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Todos temos um história para contar.

Somos feitos de marcas, episódios, lutas, pormenores, risos e lágrimas, dores e crenças. Ao longo da vida vamos-nos construindo, derrubando muros, saltando barreiras de obstáculos. Há também aqueles momentos em que simplesmente baixamos os braços, deitamo-nos no chão frio e deixamo-nos ficar lá, imóveis, inertes, até arranjarmos formas e forças para nos levantarmos. Decidimos reconstruir-nos. Passamos a vida a limar arestas, a tentar sermos melhores seres humanos, a tentar alcançar metas, pessoais e profissionais, que nos façam, por momentos, sentir realizados.
Já estive várias vezes deitada inerte no chão frio e já me levantei a vezes que consegui. Todos temos uma história para contar. Já todos sentimos a vida ser maismadrasta que mãe.
Quando alguém novo entra na nossa vida não lhes mostramos logo as cicatrizes, não lhes contamos logo a nossa história. Não nos armamos em coitadinhos. Não queremos que as vezes que nos deitámos no chão frio sejam das primeiras coisas a saberem sobre nós. Damos por nós a pensar que não sabemos quanto tempo aquela pessoa vai estar na nossa vida ao ponto de nos sentirmos na obrigação de partilhar as résteas, os destroços, de fases menos felizes. Não gostamos de falar daqueles episódios menos brilhantes. Uns em que somos responsáveis, outros em que nunca tivemos uma forma de fugir. Há coisas na vida que não podemos escolher. São como são. Lidamos com isso da melhor maneira que conseguimos. Não falamos sobre isso, lidamos com isso.
Mas a vida não espera e o tempo não pára para que tenhamos tempo de ter certezas, em relação e alguém novo na nossa vida e sobre quanto tempo vai ficar, e acaba por haver um momento em que nos mete a desmoronar por dentro em frente a alguém que não conhece a nossa história. E nessa altura, sem ensaios e sem cábula, vemo-nos obrigados, sem certezas, a deixar que uma pessoa que é nova na nossa vida, de um momento para o outro nos veja as cicatrizes. Que saiba aquela história que não gostamos de contar, que tão pouca gente sabe, que só sabem as pessoas que nos conhecem desde bebés, aquela onde não tivemos poder de escolha mas que nos vai magoando ao longo da vida. Precisamos de contar a história para justificar actos, opiniões, formas de agir e reagir.
Contar uma parte da minha vida a alguém que não sei quanto tempo vai fazer parte dela é um esforço brutal. É pesado. É também uma prova de confiança. É um medidor de afectos. Já conheces a minha história, uma delas. Obrigada por continuares aqui, na minha vida.

10 comentários:

S* disse...

:') Tão bom perceber que tens alguém ao teu lado que realmente te dá valor. Nada há de mais precioso que essa segurança.

Por acaso, mal conheço alguém, consigo perceber o significado que terá para mim. E, no caso do meu namorado, fiz questão de lhe contar logo tudo aquilo que mais me dói/me perturba/me incomoda. Foi bom partilhar e vê-lo ao meu lado.

Princesa M disse...

A vida é fodida, sim. Mas tu consegues ser ainda mais fodida e consegues saltar todas as barreiras. Tu sabes que consegues sarar as feridas. E também sabes que não são as cicatrizes que possam ficar na tua pele que te vão impedir de saltar e saltar e saltar.

Saltos Altos Vermelhos disse...

Gosto de ti, sabes, não sabes?

ISA disse...

Como sabe bem quando se é compreendido por alguém que temos ao N/ lado (marido, companheiro, amigo etc.), seja quem for concordo contigo não nos abrimos logo de início acerca da N/ vida passada, pois isso pode dar "bode", mas ao longo do apalpar o terreno aí sim podemos ir abrirmos o "leque" aos poucos e saltar.

Pintas disse...

é bom quando temos qlguém que nos dá valor!!!
beijinhos

Petra Pink disse...

Pipoca: é sempre maravilhoso ter alguém ao nosso l lado, novo ou não na nossa vida...
Mas que esteja lá para nos dar a mão, afagar o rosto, ouvir um chorrilho de lágrimas e queixas.
é importante algu+em que nos ampare.
Um beijo gigante e espero que tudo melhore depressa.... beijo

Ana disse...

Ninguém conhece a minha história, ninguém sabe que choro à noite sozinha. Eu queria emcontrar alguém que curasse as minhas feridas e que depois de conhecer os meus defeitos continuasse a querer fazer parte da minha vida. Enfim...
Criei um blog há pouco tempo. Passem por lá. www.asoscomanoite.blogspot.com

cai de costas disse...

Bravo

Miu Miu Mia disse...

perfeito....

era como se ouvisse os meus pensamentos.

Nunca comentei, mas hoje, teve que ser :))

Sofia disse...

Essa parte lixa-me sempre. Quando chega a altura de contar uma parte da minha vida, para que a outra pessoa perceba, para que lhe faça sentido o que já sabe. Lixa-me sempre, pq nunca me apetece, pq é difícil, pq sinto-me exposta. Mas às vezes tem de ser... beijinho*