quarta-feira, 30 de março de 2011

Acreditem, nem sempre é fácil desligar o botão

Sou jornalista. Não escrevo, estaticamente, sobre política nem economia. Nem tecnicamente sobre desporto ou crime. Escrevo sobre todas as áreas e pagam-me para escolher o enfoque emocional das notícias. Casamentos, divórcios, nascimentos, zangas, doenças, férias, cusquices, looks, moda. Os factos e as reacções emocionais que eles provocam. Já escrevi sobre amigos, notícias boas e más. Já escrevi sobre a morte de pessoas de quem gostava, outras que apenas admirava, outras que não me diziam absolutamente nada. Hoje escrevi sobre duas pessoas que não conheço, até porque são do outro lado do mundo. Uma história de tragédia, dor e luta. E, por falar em emoções, hoje, fui eu quem reagiu ao facto e escreveu a história de dois estranhos de lágrimas nos olhos. Não é fácil desligar o botão. Eu não sou um robot. E muitos dias levo as emoções para casa. E hoje levo as dores de pessoas que nem conheço.

8 comentários:

cê-agá disse...

como jornalista, há que ter uma certa sensibilidade de forma a retratar com maior veracidade o que quer transpôr para o leitor. imagino que não deva ser facil desligar de certas historias que nos tocam e nos impressionam.eu não sou jornalista, mas compreendo totalmente que não hajas como o robot.

S* disse...

Acredito que estejas a falar daquele casal americano, com uma menina de 18 meses, ambos com cancro em fase terminal. Foi uma história que me chocou demasiado.

Ego disse...

É fodido. Mas porque às vezes a dor daqueles que não conhecemos de lado nenhum nos toca sobremaneira? Nunca soube. Gostava de saber. Mas estou solidário contigo, porque esta dor que sentimos não é atenuada de nenhuma forma porque somos completamente impotentes.

Bailarina disse...

E é assim que se distinguem as pessoas sensíveis!
As que não desligam o botão, quando desligam o computador.
:)

C. disse...

Sou enfermeira. E compreendo-te perfeitamente. Temos que ser profissionais sim. Mas com frequência trazemos uma dor infinita connosco.
Um beijinho*

Helena de Troia disse...

Compreendo perfeitamente. Sou Assistente Social e todos os dias trabalho e lido com a miséria das pessoas. Muitas vezes estou em casa e penso: Caramba, estou aqui a jantar fora e a dona X. não tem sequer uma peça de fruta para o jantar" e fico bastante consumida. Por vezes é-me mesmo muito complicado gerir a distância que sou obrigada a colocar, mas interiorizo todos os dias os problemas dos outros, a falta de dinheiro, de comida, de condições de vida, a luz ser cortada ou a água, ou não ter como comprar os medicamentos.... E há dias que me sinto mesmo esgotada emocionalmente e por vezes os outros não compreendem. É bom saber que há quem seja igual, em diversas áreas profissionais :)
Não vi essa noticia mas já vou pesquisar...

Filipa disse...

acontece com toda a gente. e como dizes, não há um botão...
somos pessoas e temos emoções, quer queiramos quer não.

Saltos Altos Vermelhos disse...

nem sempre é fácil se distanciar, então na área de saúde...