terça-feira, 5 de abril de 2011

"Amo o meu cão" pela No Name

Podem ler mais textos da No Name aqui

"Olá, meus pequenos pinipons,

venho aqui para falar de amor (ohhh que coisinha tão fofinha)... vá, sentem-se e escutem (ups, leiam).

E venho, em serviço público, pois custa-me horrores, ver pessoas a proferi-lo de boca em boca, inadvertidamente.
Meus queridinhos, tantos são os que se dizem perdidamente apaixonados "Oh.. ele é tão lindo, e ama-me tanto. É a flor da minha Primavera. O meu torrão de açúcar."; "Ela é a mulher da minha vida, a minha eterna e única paixão.."... e mais coisitas que tal, lindinhas e amorosas, que vou parar de expor, sob pena de corromper e infestar este blog maravilhoso.
Sejamos nus e crus. Bem nus e bem crus: Mas vivem em que mundo? Raios! Que andamos todos a viver em constelações diferentes. Quiçá níveis alienígenas diferentes e opostos.

Meus caros, aqui, onde vivo (de onde vos escrevo) não há esse amor, não como teimam em defini-lo.
Os factos são: existe atracção, supressão da solidão e quiçá em hipótese muitíssimo remota - afecto.

Mas amor? Oh.. Amor?!

Isso é o que eu sinto pelo meu cão. Senão vejamos (acompanhem o meu raciocínio devagarinho),

o meu cão irrita-me e faz as necessidades dele na carpete mais linda e cara da minha esplendorosa sala - aposento preferido na altura da novela. Eu, reajo energeticamente com meio grito, abafado por um coração mole, que lhe aufere festinhas e o perdoa delicadamente. Vem ele, rabinho a abanar (plim plim plim), lambe-me (que loucura) de forma completamente arrependida.O meu cão gosta da cadela da vizinha (e já ando cá desconfiada que gosta de outra cadela aqui do bairro, mas ainda só a viu da janela) - que posso eu fazer? O danado tem um coração enorme (e não só - também têm... um .. apetite voraz). Às vezes saímos os três, fofinhos e agasalhados nas noites frias (mas agora está verão e não usamos roupa). Até o admiro por isso - pah que grande capacidade de amar tudo e todas. O meu cão, dorme no tapete do meu quarto; quando estou bem disposta, dorme ao fundo dos meus pézinhos lindos, ao fundito da cama. Maravilhoso, é quando estou com TPM (tensão pré menstrual - que é como quem diz, todo e qualquer dia, do mês, em que quero estar só), dorme na cozinha.
O meu cão, não lava a louça ao fim do jantar, não aspira as carpetes, não faz a cama... who cares? Também não suja. Sejamos correctos. Não suja. Esta alma pura, é capaz de comer e beber meses na mesma tigela, sujinha que só ela
Falei do meu cão, mas poderia falar do piriquito, do gato, do coelho, etc etc e tal - sintam-se à vontade de transpor isto para o animal que acharem melhor.

Isto é Amor.

Dar e receber.

Carinho e respeito.

Honestidade e fidelidade.

Tudo além desta 4 patitas - é passível de vos desgostar. Vão por mim. Arejem essas cabeças e descubram o verdadeiro amor da vossa vida. Não dói nada sair do cantinho dos sonhos e dos ideais que a sociedade construiu para nós.. e que aceitamos.

Absurdamente alimentamos isso com pedaços de nada e sonhos. Para mim, meu povo, sonhos, são aqueles bolinhos fofos que compro na Belinha - a pastelaria ali do bairro.

E não entendo o que as pessoas fazem com os sonhos - eu, eu... costumo come-los. E não costuma restar nadinha. (Gulosa que sou).
O meu cão manda cumprimentos e concorda com tudo o que vos escrevi, não fosse ele dotado de uma inteligência tal - inexistente na maioria dos "ditos" humanos.

E para os mais serenos, que usam o seu pensamento: sim, provavelmente isto é um post, de uma pessoa frustrada, de quem ninguém gosta..

.....e nunca ninguém me amou.. oh tão infeliz e coitadinha que eu sou!

Comam muitos sonhos e amem o vosso cão.

Tudo além disso, é viver no país da Alice (aquele... o das maravilhas!).

Sejam felizes, na realidade, nua e crua."

7 comentários:

B* disse...

Muito bom este texto.
Gostei bastante desta perspectiva.
Boas férias ;)

S* disse...

aahahah

Tudo se perdoa aos bicharocos.

Maria disse...

Acho que é mais profundo (embora não pareça) que perdoar tudo aos bicharocos.

Mas pronto.. cada um lê, com a inteligência que tem ;)

Bean disse...

De facto acho q há p aí uma amargura, de quem já n sente o amor (dito humano) há algum tempo. Eu tb sou dona de 1 cadela linda, hiper mega mimada, e é ela q aprova os meus namorados. Normalmente a pergunta q faço no 1º encontro,é sempre se a pessoa gosta de cães. Se disser q n, está imediatamente excluido. Se disser q sim, ao fim de algum tempo, deixo-o conhecer o meu amor canino, e daí logo se vê.
Eu tenho o amor incondicional da minha cadela. Mas tb sinto falta do amor humano (masculino). Acho q a maioria (pq há excepções) dos humanos nasce com a necessidade de ter 1 companheiro p a vida. Eu acredito q isso ainda possa acontecer. Aliás já tive um gd amor, q p um motivo qq n resultou - mas fui previligiada p poder senti-lo, sentir o q é realmente amar - coisa q maioria das pessoas n pd afirmar (eu mm já começava a duvidar, de csgr encontrá-lo). Portanto, descansa e aprecia a vida. N te preocupes q há-de aparecer o amor qd menos esperares. E lembra-te q tb aparecem mtas hipoteses q julgamos ser amor, mas são só "gostares" disfarçados, q nos iludem. Se fores autêntica, irás encotrá-lo.
Se n, tens sempre o amor do teu cão, q te ama acima de td. Em caso extremo, pds sempre arranjar + 1 cão!! :PPP

No Name disse...

:) Ola, a todas que leiem isto.
Note-se que é apenas um texto com humor e sarcasmo q.b.
Nele tem algumas partes importantes, que retratam a vida do dia a dia e os contornos do amor.
É dificil os outros compreenderem as nossas palavras.
Não se preocupem comigo,
sou feliz, e recomenda-se!
Tenho amor humanno e não humano.

Sejamos mais abertos a outras realidades. Vamos ler sem ser com o obvio. Vão mais além.. e interpretem palavras.

***
No name

Anónimo disse...

Esta/e No Name é muito mais acutilante do que parece numa primeira leitura. Há que ler os dois textos: o que escreveu e o que se vislumbra. Parabéns pelo humor e pela chamada de atenção de várias coisas, algumas que passam despercebidas até à dona deste blogue.

No Name disse...

Obrigado anónimo.
Tenho a certeza que leste o texto, que realmente quis escrever.