segunda-feira, 9 de março de 2009

Ainda sobre o Dia da Mulher

Já passaram uns anos desde que li uma crónica, numa revista feminina (EGO), sobre o Dia da Mulher. Afinal, o que celebramos? Hoje decido partilhar essa crónica aqui...porque faz todo o sentido.


"O Dia Internacional da Mulher não devia ser lembrado com flores, devia mostrar que tudo aquilo que se faz pelas mulheres, em todo o mundo, é ainda uma miragem.
No ano de 1857, exactamente a oito de Março, as operárias de uma fábrica de têxteis, em Nova Iorque, entravam em greve, reinvidicando pela redução do seu horário de trabalho, de 16 para 10 horas diárias, uma vez que mesmo trabalhando as mesmas horas que os homens, recebiam apenas um terço do salário. Como resposta à queixa foram fechadas na fábrica, e 130 mulheres morreram queimadas num incêndio "acidental".

Em pleno século XXI, na Índia, o estatuto de mulher casada, de uma casta inferior, não é melhor que o estatuto de um escravo, e são inúmeras e obrigatórias as tarefas domésticas às quais se juntam as exigências da vida de casada.
Neste mesmo país, apelidado de maior democracia do mundo, oito por cento das raparigas entre os oito e os 14 anos de idade estão casadas, assim como 50 por cento das jovens entre os 15 e os 19. A juntar a este silêncio sofrido, chamado de identidade cultural, as jovens vivem amedrontadas com a obrigatoriedade de dar à luz um neto, um macho, não para a sua felicidade, mas para agraciar a bondade dos sogros.
Como quem se livra de um objecto inútil, mulheres indianas recém-casadas são queimadas pelos familiares do marido, ora por não terem um filho varão, ora por disputa de dotes mais ou menos recheados. Casos de violência multiplicam-se por todo o país resultando na morte frequente, ou em marcas eternas na cara e no corpo, feitas a acido sulfúrico e querosene.

Portugal não é exemplo para ninguém, é sim um país de risco, onde cerca de 60 mulheres morrem por ano, na sequência de maus tratos e violência doméstica, e mais de 300, segundo a Associação de Apoio à Vítima (APAV), são vítimas de crimes contra a vida e só em 2002 foram registados mais de 17 mil crimes de violência doméstica, 60 por cento dos quais relativos a maus tratos físicos, levados a cabo, na sua maioria, pelo cônjuge ou companheiro.

Hoje que se fala tanto em mutilação genital feminina, é tempo de relembrar o nosso ex-primeiro ministro, Durão Barroso, das suas garantias feitas num momento de êxtase, em Dezembro de 2002, nas quais referiu não deixar passar impune a "barbaridade denunciada que alertava para a possibilidade de em Portugal ser praticada a mutilação genital sobre a popula "mulher de origem africana".
Para um país como Portugal, onde pouco se faz pelos direitos da mulher, relembramos que estamos em 2009, e por todo o mundo milhares de mulheres são violentadas, apedrejadas, queimadas e excisadas, retirando-lhes o único e raro proveito físico que podem ter enquanto mulheres. Até quando se receberão rosas a oito de Março, para ocultar as lágrimas e as nódoas negras?!"

8 comentários:

Um gajo qualquer... disse...

Há imenso para se fazer, e todos juntos continuamos a ser poucos na luta contra a barbárie que reina por esse mundo fora.

Prefiro olhar para as rosas como simbolo de uma mudança de mentalidades, mudança essa que tal como todas as outras ao longo da história da humanidade será lenta e dolorosa...


;)

Anónimo disse...

Sou mulher ! Não celebro esse dia !
Algumas das mulheres que conheço, neste dia parecem umas atênticas galinhas de capoeira. Para mim, essas não são as mulheres de verdade, são sim as que param para pensar ! gostei mt do post :)

Claudia Oliveira disse...

obrigada pela informação

Sanxeri disse...

É isso que o Dia da Mulher devia significar: luta, esforço, sacrificio.

Summer disse...

Como seria de esperar, resumem-se todas essas falhas e dificuldades com prendinhas e florzinhas!!
Cabe-nos a Nós alterar isso

Obrigado Pipoca*

Segredo Cor de Rosa disse...

vou-te escrever um mail...

Ms. Myself disse...

É dificil ler coisas destas... É incrivel como hoje ainda acontecem atrocidades destas, mas tb é incrivel como os governantes de todo o mundo preferem simplesmente falar dos problemas em vez de realmente tomar alguma iniciativa... Portugal incluído... Não podemos dizer que há justiça em portugal pois não temos protecção por parte de um elemento crucial que é a polícia.. Tive um episódio mau em k chamei a bófia e os policias que foram a minha casa na altura ainda gozaram com a minha cara.. Não há justiça para as mulheres em lado nenhum... É triste.. Mas mesmo assim, apesar de ser só um dia é bom haver pessoas que dão valor ao sexo feminino...

Rain Sister disse...

E que todos os dias de lute contra isto e não apenas num dia por ano.
Beijinhos